Em 2018, a Netflix lançou a série animada O Príncipe Dragão. Criada por Aaron Ehasz produzida por Giancarlo Volpe, os mesmos idealizadores de Avatar: a Lenda de Aang.

A história de O Príncipe Dragão se passa na terra de Xadia, uma terra fictícia que remete ao mundo medieval de Senhor dos Anéis, onde humanos e elfos viviam harmoniosamente até que um mago humano se rendeu a magia sombria. A fim de se protegerem, os elfos dividiram Xadia em dois reinos, separando humanos e seres mágicos, cuja fronteira era protegida pelo rei dragão. Essa é a premissa dessa nova aventura que tem tudo para ser uma bela série animada como foi Avatar.

O Príncipe Dragão tem uma gama de personagens que precisam ser mencionados, contudo, neste artigo, quero destacar a personagem AMAYA.

Amaya é tia dos príncipes Callum e Ezran, personagens principais para o desenrolar da história, e é no primeiro encontro desses três personagens que temos a surpresa e a compreensão da importância da personagem tanto para o desenvolvimento da história quanto para a reflexão daqueles que estão assistindo a série. Ao se dirigir para falar com os seus sobrinhos percebemos que Amaya é surda e fala com eles por meio da língua de sinais americana (ASL).

Amaya é uma personagem que traz para a série uma representatividade feminina sem seguir padrões considerados, social e culturalmente, de feminilidade, pois “apresenta características culturalmente atribuídas a personagens masculinas, como força, inteligência e coragem”.

Ela é uma mulher perspicaz, ocupa uma posição respeitável no campo de batalha, pois é general do exercito do reino de Katolis e tem como missão proteger a fronteira do lado dos humanos. Contudo, “sem cair, porém, em um binarismo, a personagem… não apresenta características “masculinas” em detrimento das “femininas”;… mas um conjunto de características que se complementam, passeando entre aspectos que se aproximam e se distanciam do já citado padrão ou tipo de feminilidade”.

A personagem também traz uma representação ainda não vista em séries animadas sobre o público surdo. Segundo Careli (2010) é somente “a partir do final dos anos 1980 se coloca a preocupação de inclusão do segmento de público espectador infantil e juvenil surdos com a utilização de língua ou de linguagem/signos específicos”. Isso quer dizer que apenas no final da década de 80 que se começou a pensar na representatividade de personagens surdos que se comunicassem por meio da língua de sinais. A autora também afirma que, até o momento da publicação da sua pesquisa (2010), não havia “… representação, de forma positiva, da surdez nas suas variações constitutivas – gênero, faixa etária, classe,… – para jovens e crianças em processo de constituição de suas identidades surdas”. Amaya é uma personagem que representa a surdez e a feminilidade sem estereótipos e valorizando, positivamente, as características desses grupos sociais.

Também incluírem uma personagem que é o braço direito do general no campo de batalha e também o seu interprete: Gren.

É ele que da “voz” para que possamos compreendê-la, contudo no decorrer da animação constatamos que Amaya não depende de seu interprete para dialogar com os outros personagens, pois todos os personagens que já conviviam com ela sabem falar por meio da língua de sinais.

Se vocês ficaram curiosos para conhecer mais sobre Amaya e a história de O Príncipe Dragão, se liga no trailer.

Todos os episódios da primeira temporada estão disponíveis na Netflix e já foi confirmada a segunda temporada para 2019

Fonte: http://oheroidaquestao.blogspot.com/2018/12/amaya-mulher-surda-e-general-precisamos.html

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