Atividades de supilates e stand up paddle foram realizadas gratuitamente no Ribeirão da Ilha para um grupo de 15 alunos da Associação de Surdos da Grande Florianópolis.

Ivan Akiyoshi tem 38 anos e já conhecia as belezas das praias de Florianópolis, mas pela primeira vez teve a oportunidade de praticar um esporte diferente na água, o stand up paddle. Surdo, Ivan aprendeu a remar no Ribeirão da Ilha e subiu na prancha. A atividade foi oferecida para Ivan e um grupo de 15 surdos, todos da Associação de Surdos da Grande Florianópolis. Com o auxílio de instrutores e intérprete, todos tiveram a chance de remar, conhecendo melhor seus limites e vivendo um dia inesquecível.

Para a mãe Angela Akiyoshi, 66, a experiência garantiu uma oportunidade de vivência diferente da que o filho vive diariamente na sala de aula. Ivan tem uma síndrome rara desde os oito anos de idade, chamada moyamoya, caracterizada por um distúrbio no cérebro, e apresenta dificuldades motoras. “Ele tem uma vida limitada e aqui com o auxílio de profissionais pôde viver uma experiência nova. Está adorando, com um sorriso no rosto”, contou Angela ao ver o filho remar pela primeira vez.

A experiência tornou o dia de jovens e adultos mais especial. “Primeiro fiquei com medo, muito nervosa, mas depois me soltei e amei. Com 24 anos de depressão, tomando remédios, vi que a atividade me ajuda muito. Quero voltar”, explicou em língua de sinais Lourdes Vanderléia Marceli, 50.

Para a também surda Kelly Rosane, 52, que além do stand up paddle praticou o supilates (prática de pilates na prancha), a atividade faz bem para o corpo e a alma. “Gostei muito, é muito bom para a saúde”, disse em Libras (Língua brasileira de sinais).

A ideia do projeto desenvolvido pela escola Soul Super Club, da Pousada do Museu, no Ribeirão da Ilha, é levar o contato com o esporte para todas as pessoas que não têm acesso. “Num primeiro momento estamos fazendo com os surdos, e o resultado tem sido maravilhoso. A maioria deles nunca teve esse tipo de contato com a água e ao ar livre. Queremos ampliar o projeto e oferecer para crianças carentes e cegos, mas dependemos de apoio”, disse o instrutor Alex Mello, 54.

Aprendizados para professores e alunos

Alguns tiveram mais facilidade para remar e ficar em pé na prancha do que outros. O mesmo se aplicou às atividades de pilates, realizadas no mar e na areia. Todos dentro de seus limites se testaram, se conheceram e se redescobriram. Até mesmo os professores. “Foi uma aula fantástica. É um novo universo, e a gente aprende muito com eles. É um desafio para mim como professora também, porque é uma língua diferente. Uma aula muito mais visual. Aprendi muito mais com eles do que eles comigo”, afirmou a educadora física especializada em pilates e recuperação de grupos especiais, Rochele de Oliveira, 34.

As dificuldades apresentadas pelo grupo, explica Rochele, é similar a de pessoas que ouvem e falam normalmente. O que muda são as vivências. “O que torna um pouco diferente a experiência são as vivências. Tem gente que já teve mais experiências e vivências e a atividade transcorre com mais facilidade. Mas é uma aula incrível porque aqui percebemos as potencialidades deles, e o que podem desenvolver”, explicou.

Fonte: ND Online

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