A Secretaria de Estado da Educação do Maranhão (Seduc) iniciou, nessa última segunda-feira (4), as aulas do Cursinho Pré-Vestibular Bilíngue Telasco Pereira Filho, voltado à preparação de estudantes surdos da rede pública para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Processo Seletivo de Acesso à Educação Superior (PAES), da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). A aula inaugural foi realizada no Centro de Educação Especial Professora Maria da Glória Costa Arcangeli (CAS), em São Luís, marcando o início das atividades da turma já formada.
A iniciativa, gratuita e popular, amplia o acesso ao ensino superior ao oferecer uma formação inclusiva em ambiente bilíngue, com aulas em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e português. O projeto também reúne estudantes ouvintes, fortalecendo a convivência e o aprendizado em um espaço que respeita diferentes formas de comunicação e aprendizagem.
A secretária de Estado da Educação, Jandira Dias, destacou o alcance da proposta para além da sala de aula. “O impacto desse projeto é direto e duradouro. Ele amplia o número de estudantes surdos chegando à universidade e, ao mesmo tempo, fortalece a presença deles em espaços onde historicamente foram sub-representados. Isso muda histórias e gera um efeito multiplicador na sociedade”, afirmou.
Para a gestora do CAS, Vanessa Lúcio, o cursinho representa uma mudança concreta na trajetória dos estudantes surdos. “É um projeto que vem elevar o conhecimento desses jovens com surdez que terminaram o ensino médio e ficaram sem perspectiva. Muitos não fizeram o Enem por conta da falta desse cursinho preparatório. Então, veio selar com chave de ouro esse projeto na vida do estudante. A gente fica muito feliz com as oportunidades que serão geradas”, destacou.
Ainda segundo ela, a proposta vai além da inclusão simbólica. “É uma inclusão concreta, acessível e transformadora. Isso significa garantir intérpretes de Libras, materiais adaptados, formação de professores e uma metodologia que respeite diferentes formas de aprender. Esse projeto não é assistencialismo, é investimento social”, afirmou.
Como funciona
O cursinho conta com 40 estudantes da rede pública e oferece, além das aulas, auxílio permanência no valor de R$ 200 mensais, como incentivo à continuidade dos estudos. A ação é realizada em parceria com a Rede Nacional de Cursinhos Populares, do Governo Federal.
De acordo com a coordenadora do programa Maranhão Alfabetizado, Samara Frota, a iniciativa reafirma o compromisso com a equidade no acesso à educação. “Isso não é favor, isso é direito. Esse cursinho nasce como uma política pública, como um instrumento de democratização do ensino superior. A gente não aceita que a universidade seja um espaço distante dos nossos alunos da escola pública, especialmente para o estudante surdo e da periferia”, pontuou.
O coordenador do cursinho, Danielson Souza da Silva, destacou que a ação integra um conjunto de políticas voltadas à educação de surdos no estado. “É mais uma iniciativa da Seduc que prevê e estimula oportunidades no campo educacional e social. Estamos promovendo o acesso ao ensino superior para estudantes da rede e também para egressos”, explicou.
Novas expectativas
Entre os alunos, a expectativa é de transformação de vida. O estudante surdo Luís Felipe vê no cursinho uma oportunidade concreta de alcançar seus objetivos. “Tenho a pretensão de, no futuro, prestar concurso público e ser aprovado. Então, é importante para a gente se desenvolver”, afirmou.
O projeto foi construído a partir do diálogo com a comunidade surda, incluindo estudantes, egressos e profissionais da educação, fortalecendo uma política pública que valoriza a Libras e amplia o acesso à universidade. A iniciativa reafirma o compromisso do Governo do Maranhão com uma educação inclusiva, equitativa e transformadora.
Fonte: Governo do Maranhão









