Nos dias 9 e 10 de abril, foi realizada a 1ª edição do Festival Tatu, evento artístico-cultural voltado à comunidade surda e à comunidade acadêmica local, que teve como objetivo valorizar a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a cultura surda.
A iniciativa é um projeto de extensão da Universidade Federal do Ceará (UFC), coordenado pelos professores Kátia Lucy Pinheiro e Daniel Almeida, do curso de Licenciatura em Letras-Libras, e pela professora e intérprete de Libras Renata Freires. Com uma proposta de acessibilidade plena, todas as atividades do evento contaram com tradução e interpretação entre Libras e português.
O nome do festival reflete uma realidade vivenciada pela comunidade surda. Segundo a professora Kátia Lucy, a escolha de “Tatu” faz referência ao fato de que muitos talentos surdos permanecem “escondidos” ou “invisibilizados” pela sociedade, como se estivessem em tocas.
A proposta do evento é ampliar a visibilidade desses profissionais e evidenciar que a comunidade surda ocupa espaços de produção intelectual e artística. “O nome Tatu é porque os surdos são escondidos; ninguém os vê. Tem cinco atores surdos profissionais aqui no festival e muita gente não os conhece. Então, a ideia é trazer essas pessoas”, ressalta.
PROGRAMAÇÃO DIVERSIFICADA – Durante os dois dias de programação, o Festival Tatu reuniu atividades que integraram arte e educação em diferentes espaços da UFC, no bairro Benfica. A agenda incluiu apresentações culturais, oficinas e exposições.
Entre os destaques, estiveram a apresentação literária “Dois mundos, uma família” e a encenação da peça de teatro surdo “Casa de tatus”, realizadas no Teatro Universitário e marcadas pela proposta de acessibilidade e protagonismo de artistas surdos.
A programação também contou com a “Exposição Tatu”, sediada no Bloco Ernando Pinheiro, que promoveu um resgate histórico das escolas de surdos a partir de relatos de surdos. No campo formativo, foram realizadas oficinas de Visual Vernacular, com Cristiano Monteiro, e de Narrativa Visual, com Daniel Almeida, abordando recursos visuais e corporais na construção de narrativas em Libras.
No período noturno, o festival apresentou atividades voltadas à expressão artística em Libras. Na quinta-feira (9), o destaque foi o Slam de Tatus, competição de poesia performática. Já na sexta-feira (10), o encerramento contou com o Show de Tatus e apresentações de Visual Vernacular.
Veja imagens do evento no Flickr da UFC
O evento contou ainda com a participação de professores e estudantes de escolas de Fortaleza, entre elas o Instituto Cearense de Educação de Surdos (ICES). A professora Germana Maria de Araújo Lima, que leciona Libras no Instituto, destacou a importância pedagógica do evento. “É muito importante conhecer a comunidade e as características da cultura surda”, afirma.
Para o aluno do 2º ano do ensino médio do ICES, João Lucas Vasconcelos, o festival representou um momento de identificação: “É muito legal assistir a contação de histórias sobre a vida e a família de pessoas que são iguais a mim. É muito semelhante com a minha vivência”. O jovem revelou ainda o desejo de ingressar, no futuro, como aluno da UFC.
Já Pedro Ribeiro, aluno do oitavo semestre de Letras-Libras e voluntário do evento, avalia que a iniciativa contribui para ampliar a acessibilidade em espaços culturais. “A acessibilidade ainda é um desafio em muitos eventos. Neste festival, o protagonismo é da comunidade surda, com atores e palestrantes surdos à frente das atividades”, ressalta.
Após a primeira edição, os organizadores já planejam a continuidade do projeto. A expectativa é que o Festival Tatu se torne um evento anual e que, nos próximos anos, possa ser expandido para outros estados do Brasil, ampliando o alcance do protagonismo surdo em todo o país.
Mais informações podem ser acessadas no perfil oficial do evento no Instagram: @festival_tatu.
Fonte: UFC









