‘Filme Jesus’ é o primeiro longa voltado para surdos a estrear nos cinemas

A nova produção cristã inteiramente voltada para o público surdo chega este mês aos cinemas americanos.

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Um novo filme que narra a história de Jesus inteiramente em língua de sinais americana (ASL) se tornará o primeiro longa-metragem totalmente voltado para os surdos a estrear nos cinemas dos Estados Unidos, em 20 de junho.

Jesus: A Deaf Missions Film”, com o slogan “para surdos, por surdos”, será exibido em mais de 300 cinemas a partir da próxima semana, possibilitando uma experiência cinematográfica inédita.

O longa é produzido pelo “Deaf Missions”, um ministério cristão internacional que atende pessoas em mais de 100 países, com o objetivo de criar ferramentas visuais de alta qualidade em língua de sinais.

Em 2006, o produtor do filme, Joseph Josselyn, começou com projetos mais curtos antes de produzir o filme “The Book of Job” de 2018 — um filme que também foi feito com elenco e equipe de produção totalmente surdos, mas foi lançado apenas em vídeo e streaming.

Após este projeto, Josselyn voltou a sonhar com a ideia de contar o Evangelho em um filme em ASL. Junto do produtor Michael Davis, eles apresentaram a proposta ao CEO da Deaf Missions, Chad Entinger, estimando que o projeto exigiria US$ 4,8 milhões para ser financiado.

“Nossa paixão era realmente ver filmes surdos de alta qualidade sendo produzidos. Não poderíamos fazer isso com um orçamento baixo”, disse Josselyn.

A produção

Em uma entrevista recente, o produtor relembrou que ficou fascinado pelo drama “Jesus de Nazaré” de 1977 — mas como uma criança surda —  ele teve que contar com legendas para entender o diálogo.

“Tive o seguinte pensamento: ‘Gostaria de saber como seria se este filme fosse totalmente em língua de sinais’”, lembrou Josselyn.

O filme pretende preencher a lacuna entre a comunidade surda e a fé, apresentando o Evangelho de uma forma acessível. O longa foi escrito e produzido por profissionais surdos, garantindo que a história seja contada a partir dos relatos bíblicos e pelas lentes dos surdos.

Além disso, a produção apresenta um elenco de atores surdos e sinalizantes nativos. Ele também é acompanhado de legendas em inglês para espectadores ouvintes.

“Mesmo quem ouve e não conhece a língua de sinais conseguirá se conectar, não apenas por meio das legendas, mas pela expressividade delas. Você ouve muito com os olhos também”, disse Davis.

Devido a acessibilidade, as filmagens exigiram algumas adaptações no set. Ryan Schlecht, que interpreta Caifás no filme, disse que, como ele e os outros atores não conseguiam ouvir o “corte”, Josselyn e o assistente de direção jogavam objetos como chapéus e travesseiros na cena para sinalizar quando parar.

Embora parcialmente filmado na Califórnia e em Iowa, parte do filme foi gravado na Bulgária e, onde quer que estivessem, geralmente estavam em locais remotos com internet e serviço de celular ruins.

Mesmo assim, as mensagens de texto também foram o principal meio de comunicação durante as filmagens. Segundo Schlecht, o elenco e a equipe técnica, de forma sobrenatural, encontraram todas as soluções.

“Tem sido uma grande bênção ver como Deus providenciou cada etapa do caminho, desde o elenco, a equipe, a equipe, os bastidores. Tentar chegar à linha de chegada foi um desafio, mas foi uma jornada de fé que nos levou até o fim”, afirmou ele.

Salvação durante as gravações

Josselyn contou que nem todos que trabalharam no filme eram cristãos, e a partir da imersão dos Evangelhos no longa, pelo menos um membro do elenco aceitou Jesus.

Embora originalmente concebido como um filme sem som, a versão final da produção inclui uma trilha sonora criada por dois produtores musicais — um surdo e um ouvinte — bem como ruídos de fundo e efeitos sonoros.

Josselyn explicou que os espectadores surdos poderão ouvir a música através das vibrações, e Davis acrescentou que alguns membros do público surdo também poderão ouvir alguns sons.

O lançamento do filme nos cinemas foi um acontecimento inesperado para Davis e Josselyn, que inicialmente esperavam que ele fosse exibido em igrejas e centros comunitários.

Schlecht trabalha há 30 anos na produção de teatro e cinema, como artista surdo, ele nunca viu esse nível de impacto.

“Este filme é para surdos, por surdos. Essa parte está clara. Mas eu só quero encorajar a comunidade ouvinte a fazer parte e assistir ao filme”, disse Josselyn.

“Queremos que eles venham e compartilhem esta experiência única, entendam um pouco melhor a nossa cultura e celebrem este momento histórico, do primeiro longa-metragem completo sobre Jesus em linguagem de sinais”, concluiu.

Fonte: GuiaMe

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