Estudante do Mestrado de Educação Básica da Uniube Uberlândia desenvolveu habilidades para acompanhar as aulas.

Conseguir ingresso no ensino superior é um desafio para todo mundo. São meses e, até mesmo, anos de dedicação para ser aprovado no vestibular. Imagina passar por tudo isso possuindo algum tipo de limitação e, ao entrar na faculdade, descobrir que não há acessibilidade.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que cerca de 24% da população possui algum tipo de deficiência. Desses, menos de 7% possui ensino superior completo. Para mudar esse cenário, em 2000, foi criada a Lei da Acessibilidade, que atua para regularizar instituições de ensino fazendo com que, cada vez mais, alunos e professores tenham as mesmas oportunidades.

O mestrando do Programa de Pós-graduação em Educação Básica da Uniube Uberlândia e professor de Libras da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Cristiano Silva Ribeiro, conta que o principal motivo para escolher a área da educação foi, justamente, as dificuldades que sofreu na infância. Por ser surdo, acabou tendo que desenvolver habilidades, como leitura labial, para acompanhar as aulas. “Quando entrei na escola não tinha intérprete, foi aí que aprendi a ler lábios, mas é muito complicado, não dá para diferenciar P e B, pato e prato, por exemplo. Então, eu basicamente copiava tudo do quadro, mas não acompanhava a aula oral”, lembra.

Além das adaptações físicas como rampas, elevadores, barras e piso tátil, a acessibilidade numa instituição de ensino precisa ser, principalmente, voltada à comunicação. A intérprete de Libras, Alessandra da Silva, é quem acompanha Cristiano até as salas de aulas na Uniube. “Aqui na Uniube foi a primeira vez que o Mestrado teve um aluno surdo e daí eles me chamaram e eu sinto como se fosse uma responsabilidade, mesmo trabalhando em outros lugares, eu sinto que preciso estar aqui e gosto de estar aqui”, diz.

Atualmente, a Uniube é a única universidade privada de Uberlândia que conta com intérprete no Mestrado. Além disso, o Mestrado profissional na cidade é voltado para pesquisa na educação básica. Por esses dois motivos, Cristiano escolheu a universidade, pois seu produto tem como foco o ensino de Libras nas séries iniciais. “Eu sou formado em Letras-Libras, trabalho com Pedagogia na universidade, então, a educação básica é um tema que combina mais com a minha prática profissional”, ressalta.

“Minha proposta é fazer um produto a partir da minha experiência, que possa ajudar na inserção do ensino de Libras mais ativamente nas escolas. Meu sonho é uma sala de aula completamente fluente em Libras para que as pessoas possam se comunicar naturalmente”, completa Cristiano.

Fonte: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/especial-publicitario/uniube/educacao-superior-em-foco/noticia/2019/02/27/universidade-mineira-abre-mestrado-com-acessibilidade-para-surdos.ghtml

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