Crianças surdas ficam sem aula por falta de professor de Libras na rede municipal

A reportagem da CBN ouviu pais e mães que estão aflitos com a perda de aulas e o atraso do ano letivo.

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Crianças surdas da rede de ensino municipal de Niterói-RJ estão sem aula por falta de professor bilíngue – que é o docente que utiliza Libras como primeira língua e o português escrito como segunda língua. A reportagem da CBN ouviu pais e mães que estão aflitos com a perda de aulas e o atraso do ano letivo.

Os problemas no Colégio Municipal Paulo Freire, no Fonseca, começaram em março, quando um dos três professores bilíngues saiu. Em julho, a segunda docente entrou de licença médica. A questão se agravou no fim do mês passado, quando a última professora bilíngue, que passou a atender as turmas do 2º ao 5º ano, também saiu de licença médica. A escola informou aos pais que não há uma previsão da Fundação Municipal de Educação de Niterói para a contratação de um substituto.

A solução de momento encontrada pela direção da unidade foi unir crianças de 7 a 12 anos com a professora de recursos, responsável por atividades recreativas com fins educacionais. Mas o que deveria ser um dia de aprendizado se resume a brincadeiras no pátio e ver vídeos.

Os responsáveis apontam que as crianças estão sem qualquer acompanhamento pedagógico efetivo: não há deveres de casa, atividades dirigidas, ou continuidade do conteúdo programático. É o que lamenta a Camila Mesquita, mãe de um aluno do 5º ano.

“Agora não tem profissional nenhum, então juntaram todos esses anos, segundo, terceiro, quarto e quinto, numa mesma sala, com uma professora de recurso, e só. Não tem dever, não tem nada, as crianças ficam brincando, às vezes vendo vídeo, que não sabem ler, não sabem escrever, e que se já não sabiam antes, agora vão saber menos ainda, e não tem profissional pra dar aula, não tem professor pra substituir.”

As crianças já começam a dar sinais de que não conseguem mais fazer algumas coisas que já tinham aprendido em sala de aula. É o caso do filho da Maria de Fátima, o Pedro, de 7 anos, que está no 2º ano do ensino fundamental.

Não tem mais professor, a escola não sabe o que fazer, a fundação não sabe o que fazer, as crianças ficam jogadas no pátio. Ficam assistindo filme com a professora da sala de recursos, mas eles não têm uma educação, eles não têm um ensino, eles não têm dever de casa, eles regrediram. O meu filho regrediu absurdamente, o meu filho já estava fazendo operações matemáticas de soma e subtração, ele já estava começando a ler o nomezinho e a escrever, ele não está conseguindo, e a gente está falando de crianças surdas que precisam ter uma continuidade no ensino.”

Em nota, a Fundação Municipal de Educação de Niterói negou omissão no atendimento aos estudantes surdos da Escola Municipal Paulo Freire.

Segundo a Fundação, a vaga deixada pelo professor bilíngue foi suprida por outra profissional qualificada e os professores de recursos também podem assumir o atendimento pedagógico das turmas, assegurando a continuidade das atividades escolares e o cumprimento do direito à educação inclusiva.

Sobre a questão de reunir alunos de diferentes idades e níveis, a pasta informou que interações entre crianças de diferentes níveis de desenvolvimento fortalece o aprendizado.

Por fim, a nota afirma que a secretaria e a Fundação instituíram uma Comissão Especial de Suporte à escola, que acompanhará o trabalho pedagógico das turmas bilíngues e oferecerá apoio técnico à equipe escolar e às famílias.

Fonte: CBN Globo

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