Governo promove cerimônia em comemoração ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência

A secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Priscilla Roberta Gaspar de Oliveira, relatou ter sido alvo de um episódio de discriminação ao chegar para uma cerimônia em comemoração ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto.

Surda, ela fez a queixa na presença do presidente Jair Bolsonaro, da primeira-dama, Michelle, de vários ministros e convidados, ao discursar com a ajuda de uma intérprete de Libras no Salão Nobre do palácio presidencial.

“Estamos aqui para comemorar e também para mostrar a realidade e as ações voltadas para as pessoas com deficiência. Pois sabemos que temos muitas barreiras, muitos impedimentos”, disse a secretária. “De vez em quando, temos alguns problemas. Eu infelizmente me atrasei porque tive um probleminha ao entrar aqui.”

Em seguida, a secretária começou a descrever as dificuldades de acesso, relatando que a segurança duvidou que ela ocupasse o cargo e que estivesse no palácio para participar do evento do qual é protagonista.

“Ainda que eu dissesse que eu estava vindo para o nosso evento no dia da pessoa com deficiência, apresentando o meu crachá, não acreditaram que eu estava aqui, que eu estava nesse evento”, queixou-se.

“Pediram para eu dar uma volta para conseguir ter acesso. E eu dei a volta, e também não foi liberada a minha acessibilidade, a minha entrada, mesmo eu dizendo que estava aqui, que era a secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência.”

A secretária prosseguiu afirmando que o episódio mostra que ainda é preciso “comemorar ao fim de todos os dias as nossas pequenas conquistas”.

“Então, precisei mostrar, eu precisei dizer que eu ainda sendo uma pessoa surda não sou diferente de ninguém. E isso me mostrou que nós ainda precisamos lutar bastante, todos os dias de nossas vidas”, afirmou.

Ao dizer que não é “a única pessoa surda nesse país”, ela lembrou também de pessoas com outras deficiências, citando cadeirantes, autistas, cegos, pessoas com deficiência intelectual e doenças raras.

“Imagine a nossa vida como é. A sociedade não faz ideia dessas barreiras”, disse. “Precisamos ter empatia, precisamos conhecimento da nossa causa”.

Subordinada à ministra Damares Alves, da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Priscilla afirmou que o governo atual é o primeiro “que tem se preocupado com as pessoas com deficiência”, mas às autoridades presentes que ofertem oficinas para promover “empatia com as pessoas com deficiência.”

“Peço a todos os senhores que estão aqui, autoridades do governo federal, para que vocês possam ofertar possibilidades e, quem sabe, uma oficina em relação à empatia sobre as pessoas com deficiência”, afirmou.

Fonte: Valor Econômico – Política

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