Os pequenos estudantes Arthur, Márcio e Taís são surdos. Interagir com um espetáculo de circo, por exemplo, repleto de sons variados, poderia ser algo impensável. Mas não no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Carlos Alberto Martinelli de Souza, no bairro Consolação.

ESPÍRITO SANTO – A unidade, referência em Vitória no atendimento a alunos que não escutam, apresentou, nesta quinta-feira (17), o espetáculo “O Circo chegou no CAMS”, projeto que foi desenvolvido também em Libras (Língua Brasileira de Sinais) por estagiários da Educação Física (da Ufes e do Salesiano) com as professoras Michelle Cristina Duarte e Cíntia Mascarello, sob a coordenação da diretora do Cmei, Elisamara Trindade.

A apresentação foi realizada em parceria com o projeto de Libras do Atendimento Educacional Especializado, com a ajuda do professor de Libras Alberto Oliveira Leite, também surdo, que representou o palhaço, personagem principal do espetáculo.

As crianças ficaram muito atentas e envolvidas durante todo o evento, inclusive os estudantes surdos, que puderam compreender cada apresentação por meio dos sinais.

Espetáculo
O circo em Libras teve de tudo: palhaço, apresentação de dança, mágica, malabarismo, trapézio, acrobacia e equilibrismo. Tudo com a participação dos estagiários e professoras de Educação Física. Houve, inclusive, troca de “ingressos”. Os alunos produziram alguma atividade em sala de aula e trocaram pela “entrada” para o circo. “Uma forma de valorizar o trabalho e empenho do aluno”, explicou a diretora.

Incentivo
“A proposta tem como base o brincar de forma lúdica e imaginária, incentivando nos alunos a criatividade ao promover experiências motoras significativas de aprendizagem. Nesse espetáculo, materializamos o circo pedagogicamente manifestado nas aulas de Educação Física, apropriando-se de seus conhecimentos e da nossa cultura, contemplando a expressão corporal como linguagem”, destacou a diretora da unidade.

Parceria
Como a escola é referência no atendimento a crianças surdas na rede municipal de ensino, veio a parceria com o projeto de Libras. “Ter um professor surdo que é profissionalmente um palhaço agregou muito ao nosso trabalho. Na unidade, já desenvolvemos fortemente a inclusão das crianças surdas com os alunos ouvintes aprendendo Libras também. A gente também envolve os pais e a comunidade nesse processo”, pontuou Elisamara.

Referência
O Cmei CAMS conta atualmente com cinco alunos surdos. O trabalho desenvolvido no Cmei acabou indo além do objetivo inicial, que era o de adaptar uma aluna surda – veja a matéria – que havia chegado à escola. Formou-se uma verdadeira corrente de inclusão, envolvendo os demais estudantes e também familiares dos alunos.

“Começamos a observar que as crianças foram se adaptando à aluna Ketlen, de 3 anos, até mesmo aprendendo a se comunicar com ela de alguma forma, por Libras ou mesmo por gestos. Passaram a entender como falar com a colega, e isso foi ultrapassando os portões da escola, já que os estudantes também contagiaram pais e familiares e muitos passaram a querer entender o universo dos surdos e também aprender Libras”, conta Elisamara.

Oficinas
O Cmei tem realizado oficinas sobre o tema (incluindo aulas de Libras) para alunos e familiares. Os profissionais da escola também já se comunicam em Libras. Segundo a diretora, o que se vê na unidade é a escola se adaptando para receber os diferentes e não os diferentes tendo de se adaptar à escola.

“Aqui não são os alunos surdos que se adaptam à sala de aula e à escola, mas nós todos, incluindo os alunos, que nos adaptamos a eles. E isso é, de fato, inclusão”, comemorou a diretora.

Fonte: Prefeitura de Vitória

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