Yuri Moraes completou graduação em Língua Brasileira de Sinais, em agosto. ‘Lutei muito, tem que ser forte’, diz.

Contato, mãos, gestos. O principal meio de interação de Yuri Moraes, de 26 anos, com o mundo é o toque. Desde que nasceu, ele é surdocego e, neste ano, atingiu um marco: se tornou o primeiro aluno portador dessa deficiência a se formar na Universidade de Brasília (UnB).

Em agosto, ele se graduou no curso de Língua de Sinais Brasileira (Libras) – Português e agora se prepara para o futuro. Yuri já faz a segunda faculdade, tem planos para mestrado e doutorado e pretende fazer concurso público.

‘Lutei muito, tem que ser forte. Não pode desistir nunca’, diz.

Yuri se comunica por meio da língua de sinais tátil. Para isso, conta com a ajuda das mãos da mãe, Elemregina Moraes. Ela traduz a fala em libras e ele entende com o tato. Por toda a vida, o jovem estudou em escola pública e, mesmo com as dificuldades, conseguiu a vaga na universidade pública.

Para a mãe, que acompanhou toda a trajetória, o momento é de orgulho. “É uma luta grande de muitos anos. E quem ganha é a sociedade, com certeza, porque eles têm muito a contribuir. Quem ganha é a família, que fica feliz, e ele pessoalmente adora estar na função e vai estar na função porque ele quer ser professor de toda forma”, diz.

A graduação de Yuri também foi muito comemorada pelos professores da UnB. Atualmente, as turmas de Libras da universidade contam com 120 alunos, sendo que 30 deles têm alguma deficiência. Além de Yuri, dois são surdocegos.

“Nós tivemos, claro de fazer diversas adaptações, não só pra o ingresso de alunos surdos e surdocegos, no nosso curso. Mas também, ao longo do curso, fomos aprendendo com eles a como lidar com a deficiência auditiva e a deficiência visual, no sentido de promover uma aprendizagem significativa”, conta a professora Rozana Naves, diretora do Instituto de Letras da UnB.

A Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) não possui dados sobre o número de surdocegos que vivem no DF. Segundo o órgão, a deficiência visual é a mais comum entre a população da capital: são cerca de 81 mil pessoas.

Segundo a professora Rozana Naves, o trabalho de inclusão é essencial na educação. “É uma história que vem se construindo na UnB […]. Trabalho que culmina agora na possibilidade de um aluno como o Yuri poder sonhar com uma carreira completa e efetivamente realizar o sonho de ser professor de português, que é o que ele quer ser. É muito importante.”

Fonte: G1

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