Mulher de Bolsonaro atua como intérprete na igreja que frequenta na zona oeste do Rio.

De joelhos no chão, com o corpo encolhido e o rosto escondido no encosto da cadeira, Michelle Bolsonaro passou alguns minutos orando. A música tocava ao fundo enquanto ela, concentrada, pressionava uma mão contra a outra.

Na noite desta quarta-feira (31/10), a futura primeira-dama do país deixou por algumas horas sua casa para ir à igreja. Evangélica, ela costuma frequentar a espaçosa Batista Atitude, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Não foi a primeira vez que ela foi ao culto após a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) nas urnas no domingo (28), se limitou a dizer à Folha.

Nas cerca de duas horas de duração do culto, ficou em uma fileira em frente ao palco, com cadeiras azuis reservadas para surdos. É dali que ela costuma assistir à pregação, já que atua como intérprete de libras na igreja.

Com a Bíblia no colo, cantava em seu lugar a letra de cada canção com os lábios e também com as mãos, na língua de sinais. Balançava a cabeça afirmativamente quando o pastor falava sobre a fé e as palavras de Jesus e de Deus e abraçava as duas amigas ao seu lado de vez em quando.

Apesar de discreta, não resistiu ao convite de uma delas para traduzir uma música tocada pela banda, já quase no final da noite. Se levantou e tomou o lugar de outra intérprete à frente do grupo de surdos, que acompanhavam seus gestos. Depois voltou a se sentar, com os olhos marejados.

A única outra vez em que se levantou foi para depositar um envelope com o dízimo em uma urna de madeira. “Deus me livre”, comentou em certo momento em que achou que uma colega a chamava para subir ao palco, onde o pastor falava sobre casamentos.

Passaria por uma fiel comum ali no meio caso não fossem os quatro homens altos que a cercavam de longe, observando cada movimento no entorno. Eles só chegaram mais perto quando, ao final da pregação, dezenas de pessoas foram até ela para tirar fotos.

Questionada sobre os primeiros dias em casa após o resultado das eleições, Michelle respondeu que não poderia falar com jornalistas. Os seguranças impediram a reportagem de fotografar, e um membro da igreja justificou dizendo que eles não permitem a presença da imprensa. Ela saiu do local pelos fundos.

Fonte: Folha de S. Paulo

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