Hudson aprendeu Libras para se relacionar com Natália, e hoje atua como intérprete na Câmara Municipal de Santos, no litoral paulista.

Hudson Pereira de Lima Benegas e Natália Carla Silva de Araújo se conheceram, há seis anos, por meio das redes sociais. Moradores de Santos, no litoral de São Paulo, eles combinaram o primeiro encontro, e foi quando a jovem explicou que era surda. Hudson se preparou e aprendeu Libras para facilitar a comunicação logo de início. Anos depois, o aprendizado fez com que ele se tornasse intérprete.

Ao G1, Hudson contou que ambos passaram a conversar pelas redes sociais, depois que ela curtiu uma foto em que ele estava. “Vi o perfil dela, e aí me apaixonei logo de cara”, lembra. Ele a chamou para sair, momento em que ela explicou que era surda, com medo de que ele parasse de ter contato. “Mas, para mim, não mudou nada. Disse a ela para não se preocupar, pois eu estudaria Libras pelo YouTube durante a semana, e no fim de semana já saberia o básico”.

Hudson relata que começou aprendendo as letras do alfabeto em Libras. Ele confessa que, no início, sentiu algumas dificuldades, e que às vezes a conversa perdia a fluidez. Isso fez com que ele se esforçasse ainda mais. “Comecei a estudar mais e a acordar mais cedo para estudar. Assim, a cada dia que passava, a dificuldade na comunicação diminuía, e o interesse dela aumentava”, conta.

A comunicação entre ambos foi melhorando, e o jovem passou a cogitar trabalhar na área. “Depois de um tempo, não tinha mais dificuldades, e foi aí que percebi que poderia até trabalhar com isso”. Atualmente, Hudson atua na Câmara Municipal de Santos como intérprete de Libras, e também trabalhou traduzindo lives na quarentena.

Após mais de seis anos juntos, ele avalia que ainda há muitos impasses e dificuldades para pessoas surdas. “Conforme fui aprendendo Libras, consegui absorver bem a cultura surda, que eu nem sabia que existia. É um mundo totalmente novo, bem na frente do nosso nariz, que infelizmente, no Brasil, não é devidamente valorizado”, diz Hudson.

Natália é assistente administrativa e estuda Administração. Ela ficou surda ainda criança, com cerca de 1 ano de idade, após uma meningite. Nesses seis anos, Hudson percebeu que há falta de acessibilidade nas mais diversas áreas.

“Tem muita coisa ainda para melhorar, coisas que só quem sente na pele sabe. Um filme nacional sem legenda no cinema, ou um filme infantil, por exemplo, já dificulta a acessibilidade do surdo. Também em hospitais, bancos, cursos sem intérprete, atendimento de drive-thru, e deve ter muito mais a se pensar”, diz.

Hudson se orgulha da trajetória do casal e do crescimento de ambos. “Somos muito abençoados e temos uma vida bem feliz, mas sentimos que ainda temos muitas conquistas pela frente. Temos muita sorte de termos um ao outro”, finaliza.

Fonte: G1

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