Na tarde da segunda feira (2), crianças e adolescentes com deficiência de diversas entidades da cidade participaram de uma sessão inclusiva e gratuita no cinema Moviecom, no Shopping Jaraguá.

Para muitas mães e filhos, foi a primeira ida ao espaço. “Eu estou muita emocionada em ver meus filhos felizes. Nunca pude trazê-los aqui, mas, hoje, com a oferta do transporte e o apoio de outras pessoas, foi possível”, conta Lucineia da Paz Belo, mãe dos gêmeos Luan e Lucas, de 14 anos.

A oportunidade é fruto da Campanha Setembro Azul & Verde, organizada pelos vereadores Elias Chediek (MDB) e Roger Mendes (Progressistas), em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e o Instituto Idioma Surdo, com o apoio da Prefeitura de Araraquara e da Associação Comercial e Industrial de Araraquara (Acia).

Para receber o público, algumas adequações foram feitas no local. Segundo Karoline Rocha, gerente do cinema, foram disponibilizados nove aparelhos que possibilitam que cegos e surdos acompanhem os filmes. Esses aparelhos são smartphones que exibem uma legenda descritiva, com interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para os surdos e audiodescrição para os cegos. O próximo passo para as adaptações de acessibilidade será a instalação de piso tátil e a capacitação de funcionários, com curso de comunicação para atendimento ao público em Libras.

Mendes, autor da propositura que institui o Setembro Verde no município, reitera o objetivo da campanha de promover a inclusão social das pessoas com deficiência. “Tornar esse espaço adequado para receber a todos é uma obrigação nossa enquanto sociedade. Esperamos que daqui para frente novas possibilidades garantam lazer e diversão às pessoas com deficiência.”

Chediek, autor da lei que institui o Setembro Azul, que trata especificamente dos direitos das pessoas surdas e prevê reuniões, palestras, seminários, apresentações teatrais, passeatas, audiências públicas, exposições, festas ou outros eventos, comemora a inciativa. “Percebermos que precisamos avançar ainda muito na garantia dos direitos das pessoas surdas, pois não encontramos as adequações em todos os cinemas brasileiros, mas esse já foi um salto bastante importante em relação à inclusão.”

Vilma Amaral Schiavinato, presidente do Instituto Idioma Surdo, ainda destaca a lei federal que assegura à pessoa com deficiência e a um acompanhante o direito de pagar metade do valor do ingresso para ter acesso a eventos culturais e esportivos, incluindo, de forma expressa, as sessões de cinema. “As pessoas com deficiência costumam ir acompanhadas por algum familiar ou amigo a todos os lugares, devido à privação de autonomia pela falta de acessibilidade em geral, seja em estabelecimentos públicos ou privados. Por isso, é importante que todos saibam que o acompanhante também paga metade do valor”.

Regulamentação

A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, de 2015, prevê em sua regulamentação a adequação de salas de cinemas até o fim deste ano e a distribuição de filmes com tradução em Libras, legendas e audiodescrição. Desde o início de 2017, o Instituto Idioma Surdo tem promovido reuniões com o vereador Elias Chediek, representantes dos cinemas locais e a Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (FENEEC).

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