Nos EUA, Brady Mistic entrou com uma ação neste mês contra os agentes que fizeram a abordagem

Um norte-americano surdo foi agredido e preso após não ter percebido gritos de ordem dados por policiais no estacionamento de uma lavanderia na cidade de Idaho Springs, no Colorado, em setembro de 2019. Agora, dois anos depois, a imprensa local informa que Brady Mistic entrou com uma ação neste mês contra os agentes que fizeram a abordagem. Para o advogado de Brady, não houve justificativa para o uso da força.

O jovem, que à época tinha 24 anos, relata no processo que os dois oficiais se aproximaram dele, um derrubando-o no chão e o outro imobilizando-o com uma arma de choque. Os policiais argumentaram que agiram de tal forma porque o rapaz havia resistido aos comandos. No entanto, Brady explicou que não havia escutado as ordens deles porque é surdo, não sabe fazer leitura labial e, para se comunicar, utiliza a língua de sinais americana. Segundo o ex-chefe do Departamento de Polícia de Idaho Springs, Christian Malanka, os agentes não sabiam da condição do suspeito e, portanto, em sua opinião, agiram apropriadamente.

De acordo com o portal de notícias “NPR”, o ex-policial Nicholas Hanning, acompanhado de Ellie Summers, que estava em treinamento, seguiram Brady até o estacionamento da lavanderia após suspeitarem que ele não respeitou uma sinalização de trânsito. Quando o jovem saiu do carro e caminhou na direção do estabelecimento, a dupla gritou que ele parasse, mas Brady continuou andando. Nicholas e Ellie então foram até ele para prendê-lo, mas para o rapaz, a ação foi surpreendente. O advogado de Brady, Raymond Bryant, negou que seu cliente tenha resistido à prisão.

— Uma pessoa precisa saber que está presa para resistir à prisão — declarou Bryant, explicando que o jovem havia apenas levantado as mãos no momento da abordagem.

Brady saiu da prisão após um período de quatro meses, quando foi retirada a queixa contra ele. A promotoria escolheu que ele participasse de um programa de reeducação em vez de responder criminalmente. Com ele, a polícia havia encontrado notas falsas. De acordo com Bryant, o jovem não teve acesso a um intérprete de língua de sinais enquanto estava detido.

Fonte: O Globo

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