Rede municipal de educação atende 40 estudantes surdos ou com deficiência auditiva
Uma educação de qualidade engloba diversos aspectos, certamente um deles é o compromisso com a inclusão na rede de ensino. Por isso, hoje (23 de abril) Dia Nacional da Educação de Surdos, Contagem, além de reforçar a luta pela inclusão de crianças e estudantes surdos, é responsável por honrar esse compromisso e contabilizar contribuições importantes nesta luta.
A cidade conta com uma ampla rede de apoio à educação inclusiva nas escolas municipais, com monitores e salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Para o público surdo, também, existem professores e intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras), tudo para promover a inclusão e a aprendizagem de crianças e estudantes, seja da educação infantil, do ensino fundamental ou da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Para que uma criança surda tenha acesso a uma educação completa é necessário que haja um suporte e identificação em sala de aula, como relata Marlon Loureiro, instrutor de Libras da Escola Municipal Sócrates Mariani Bittencourt, na região do Eldorado. “Para o aluno surdo é importante ter a identidade surda. Eu também sou surdo. É através dessa sinalização que vai criando a identificação, por meio de materiais que são muito visuais. Libras é (uma língua) muito visual”, relatou.
Para Emanuel Victor Marçal, que é surdo e cursa o primeiro ano do ensino fundamental na E.M. Heitor Villa Lobos, no Riacho, a rotina em sala de aula é ótima, principalmente na realização de atividades. “Eu faço as atividades, respondo quando a professora me pergunta e interajo muito bem com os meus colegas”, afirmou. Emanuel sempre recebeu o suporte oferecido pela rede municipal de Contagem, desde a educação infantil, o que colaborou para que o estudante seja fluente na língua de sinais. Atualmente, em sala de aula, ele conta com o apoio e a presença da intérprete de Libras Carla Carvalho, como forma de reduzir a barreira comunicacional, fortalecendo sua participação nas atividades escolares.
Carla atua diretamente na sala de aula, traduzindo para Emanuel as informações passadas pela professora, como também às expressões de pensamentos e comunicação do estudante, relata que a vontade de aprender Libras não surgiu pensando em se tornar profissional, mas que depois acatou a ideia. “Na minha adolescência, aos meus 16 anos, tive o meu primeiro contato com uma pessoa surda, mas não consegui me comunicar com ela. Após vários anos, comecei a fazer o curso e depois escolhi como graduação Letras/Libras. O meu dia a dia com o Emanuel é prazeroso, pois ele só precisa que a comunicação seja traduzida para sua língua. Ele é inteligente, aprende e percebe o que está acontecendo muito rápido”.
Ainda na escola Heitor Villa-Lobos, Emanuel participa do AEE onde é atendido pelo professor Felipe Ronan, que reflete sobre a importância de considerar a Libras como primeira língua do Emanuel. “Para aqueles que ainda não conhecem e tem o interesse de conhecer, porque faz parte da comunicação brasileira. Não é somente português, não é somente o inglês, que é a língua mundial. A língua de sinais é muito importante, principalmente para comunidade surda, que tem uma grande quantidade de pessoas que acabam sendo excluídas da sociedade”, reforçou. Atualmente, a rede municipal de educação conta 40 crianças e estudantes, sendo 34 com deficiência auditiva e 6 que são surdos. Para atender o público a rede conta com 50 profissionais que são intérpretes de Libras, sendo 33 fixos nas escolas e 17 que são volantes.
Instrutor, intérprete e professor
O intérprete de Libras atua na mediação linguística em sala de aula comum. Já o instrutor de Libras, preferencialmente surdo, ensina a língua de sinais e contribui para o desenvolvimento linguístico e cultural.
Quanto ao instrutor de libras, sua função é ensinar Libras de forma sistematizada, fortalecendo a contribuição para a fluência, garantindo que seja possível utilizar a língua em diversos contextos. Também é atribuição do instrutor colaborar com o professor do AEE no planejamento de estratégias que favoreçam o acesso ao currículo. É fundamental destacar que o instrutor de Libras não substitui o professor regente nem o professor do AEE. Sua atuação é complementar e especializada na dimensão linguística.
A distinção se aplica na forma que cada estudante deverá receber as necessidades no âmbito escolar, em especial ao uso da Libras como a língua materna para estudantes surdos. O AEE vem como complemento para o ensino, assegurando o acesso da criança e do estudante à educação linguística e pedagógica.
Fonte: Prefeitura de Contagem








