Profissionais traduziram shows no Marco Zero e em outros cinco polos com acessibilidade. ‘Sem os tradutores, a gente olha e vai embora. Agora, dá vontade de ficar’, diz folião.

Além de artistas renomados, bailarinos encantadores e de diversos efeitos de luz e som, o encerramento da folia do Recife, na noite da Terça-feira Gorda (25) e na madrugada desta Quarta-feira de Cinzas (26), teve outro destaque: intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Foliões surdos comemoraram o sentimento de inclusão na festa de Momo.

Além do Marco Zero, palco principal do carnaval na capital pernambucana, outros cinco polos (RecBeat, Casa Amarela, Várzea, Ibura e Lagoa do Araçá) tiveram a atuação de tradutores de Libra durante a folia. A iniciativa também foi realizada na festa do ano passado, mas em um polo a menos.

Bastante festejado pelo público, o intérprete Eduardo Calisto esbanjou carisma e técnica ao lado dos artistas, em cima do palco. “Viver a música não apenas como um som, mas como algo que está dentro de nós”, disse.

O profissional se revezou nas apresentações com outra tradutora, Janah Lima, que contou que o momento é de poesia pura e exige grande preparação. “Estudamos vocabulário, as músicas e a linguagem visual dos artistas”, afirmou.

No encerramento da folia, os dois intérpretes traduziram os shows de Lenine, Alceu Valença e Elba Ramalho. O folião surdo Eclinton José contou que foi um momento de grande alegria. “Surdo não quer só as imagens, quer se sentir junto”, declarou.

Os foliões surdos contaram com uma área reservada para acompanhar a festa. Mário Augusto, de Teresina, elogiou a iniciativa. “Meus olhos estão brilhando, os intérpretes são muito maravilhosos”, disse.

Para Igor Rocha, que se divide entre Pernambuco e Alagoas, a luta é que esses espaços sejam ampliados para a comunidade surda. “Percebo que, no Brasil, existe pouca acessibilidade, mesmo que isso já esteja mudando. Sem os tradutores, a gente olha e vai embora. Agora, dá vontade de ficar”, contou.

Fonte: G1

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