A Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc) iniciou nesta segunda-feira, 18, a formação continuada de instrutores para o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua nas Salas de Recursos Multifuncionais de todas as escolas estaduais, tendo como público nove instrutores surdos de nível superior lotados nas diretorias regionais de educação (DREs) e na sede da Seduc. O curso contará com carga horária de 120 horas/aula, distribuídas em quatro módulos, cujas ações serão desenvolvidas de forma remota e presencialmente.

SERGIPE – O instrutor é um novo profissional dentro da oferta de profissionais para a efetivação da inclusão na rede estadual. A diretora do Departamento de Educação (DED), professora Ana Lúcia Lima, explica que eles vão atuar diretamente com os professores das salas de recursos, auxiliando-os e atendendo também aos alunos surdos. “É muito importante esse processo para a inclusão das nossas crianças. O conhecimento e o domínio de libras são essenciais para a aprendizagem dos nossos estudantes. O aluno surdo precisa ter nos primeiros anos de escolaridade esse aprendizado, para acessar com maior efetividade os componentes curriculares e demais atividades da escola”.

De acordo com a chefe do Serviço de Educação Inclusiva (Seinc), professora Lilian Alves, essa ação vai reverberar de forma muito intensa na educação dos alunos surdos. “Os profissionais irão desempenhar um trabalho pioneiro, a partir de uma ação inovadora não somente no estado de Sergipe, mas também em relação a muitos estados do Brasil. Então, mais uma vez nosso estado sai na frente na questão da educação especial, e o ensino de Libras como primeira língua para alunos surdos será prioridade”.

O primeiro módulo do curso foi ofertado presencialmente, tendo como tema “Instrutor de Libras no Atendimento Educacional Especializado (AEE)”. A professora Tálita Cavalcanti, coordenadora do Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS), falou como se dará o ciclo formativo. “O objetivo é prepará-los para que eles possam atuar nas escolas. Serão 120 horas de formação. Começa hoje e vai até o dia 12 de novembro. Além dessas aulas presenciais, teremos também atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem da Seduc (AVA), no qual eles terão acesso a materiais de estudos, como textos, vídeos, e outros recursos para aprofundar os conhecimentos”, informou.

A professora de Libras Rubivânia de Andrade Carvalho, que atua na DRE 1, afirmou estar esperançosa com o curso. Ela contou que há 14 anos vem trabalhando como instrutora de ensino para ouvintes. “Agora essa nova experiência será com os alunos surdos. E a gente vai trabalhar com esse foco a fim de que ele compreenda o que está sendo dito, porque se realmente não houver uma comunicação com esse surdo, vai ser prejudicial para sua rotina de estudo”, disse ela, desejando que a ação possa se expandir e alcançar mais pessoas que se interessam pela Libras.

Apropriar-se de novas possibilidades em torno da aprendizagem do aluno surdo é uma das estratégias a serem utilizadas pelo professor Presley Rhodney Pereira Santos, instrutor na DRE 2, durante o curso. Esse instrutor explicou que cada estudante tem um perfil de deficiência diferente, que acaba exigindo também uma metodologia diferente. “Nessa formação vou aproveitar para tirar minhas dúvidas acerca de novos métodos de ensino que eu possa aplicar com meus alunos, fazendo com que eles se acostumem, porque cada um tem um jeito diferente de aprender, além do domínio da língua, com que muitos ainda têm dificuldade, e a gente busca simplificar para que eles sintam-se incluídos”, concluiu.

Fonte: Infonet

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