São mais de 4 mil atletas de 77 países reunidos em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, para a primeira edição das Surdolimpíadas na América Latina. A Ucrânia tem a maior delegação estrangeira e lidera o quadro de medalhas.

Duzentos e cinquenta e oito atletas deixaram a Ucrânia antes de a guerra começar para disputar as Surdolimpíadas no Brasil.

São mais de 4 mil atletas de 77 países reunidos em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, para a primeira edição das Surdolimpíadas na América Latina.

“Eu tenho muito orgulho de estar aqui, porque o Brasil não sabe que tem a Olimpíada de surdo. E agora nós podemos mostrar nosso valor”, diz o nadador brasileiro Guilherme Maia.

Por não terem limitação motora, os surdos não participam das Paralimpíadas. Por isso, contam com uma competição própria, que existe desde 1924.

Gestos e o uso de luzes, como no taekwondo e na natação, são fundamentais para a comunicação. No futebol, o árbitro principal carrega uma bandeira para sinalizar as decisões.

“Gesticular bastante com ela, bastante olho no olho com os atletas, porque eles acabam entendendo o que a gente está querendo passar para eles”, explica o árbitro de futebol Francisco Soares Dias.

A competição vai até domingo (15). A Ucrânia lidera o quadro de medalhas, com 42 ouros, 25 a mais que os Estados Unidos, segundo colocado. O Brasil tem quatro medalhas de bronze.

A Ucrânia tem a maior delegação estrangeira da Surdolimpíadas: são 258 atletas que se dividem entre a disputa por medalhas e a angústia de acompanhar de longe a guerra contra a Rússia.

“Meu sentimento é de felicidade, mas de tristeza ao mesmo tempo”, disse o goleiro Dmytro, da seleção ucraniana de futebol.

O time deixou o país antes de a guerra começar, e Dmytro ficou sabendo dos primeiros ataques pelo filho, de sete anos.

O goleiro contou que o filho ligou para ele e perguntou: “Papai, eu vou morrer?” Dmytro disse que não. A família conseguiu deixar Kiev e está na Itália.

A delegação ucraniana pede paz e o fim do conflito. Russos e bielorrussos foram excluídos dos Jogos após a invasão à Ucrânia.
Serhii Bukin, da seleção de basquete da Ucrânia, e quer o fim da guerra para poder voltar para casa.

Enquanto convivem com a incerteza, os ucranianos no Brasil colecionam medalhas e o carinho de atletas do mundo todo.

Fonte: Jornal Nacional

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