Ação permite que os surdos de Campo Grande aproveitem shows e conheçam vários estilos musicais.

Quem disse que surdo não sai, curte a noite e tem vida social? Muitas vezes excluídos dos eventos, festas e manifestações culturais por falta de acessibilidade, o grupo minoritário tem sede de lazer em Mato Grosso do Sul. Pensando nisso, um bar de Campo Grande decidiu criar um projeto para incluir essas pessoas que desejam curtir a boa e velha noitada campo-grandense. Ao lado de uma intérprete de libras, agora os surdos têm a oportunidade de se divertirem igual a todo mundo.

Nesta sexta-feira, 10 de setembro, foi comemorado o Dia da Língua Brasileira de Sinais. Então, decidimos contar essa história pra mostrar o quanto a Libras é importante para transformar, melhorar e conscientizar a vida de muitas pessoas.

A ideia de traduzir shows em libras surgiu da parceria entre Danielle de Rezende Gimenez e Jodascil Gonçalves Lopes. Ela se tornou intérprete de língua de sinais em 2013, é professora de Português e atualmente faz curso de Direito. Foi na sala de aula, inclusive, que ela conheceu o professor Jodascil, que ministra aulas em uma faculdade de Campo Grande.

Ele, que é dono do Tasco Bar, recebeu a proposta de colocar tradução em libras durante os shows musicais. A ideia foi amplamente aceita pela equipe e Danielle comanda a tradução até hoje no espaço.

“Eles [surdos] não têm muito lugar para sair. Eles querem sair, querem passear, mas acabam não fazendo por conta da acessibilidade. Eles vão pra um lugar, vão comprar alguma coisa, mas as pessoas não sabem língua de sinais. Da mesma forma que a gente quer sair pra relaxar, eles também querem”, disse Danielle. Foi então que o projeto Tasco Acessível foi implementado no local há mais de um ano. Porém, a pandemia de Covid-19 suspendeu o evento por um tempo.

Cerca de um mês atrás o projeto voltou a ser implementado em Campo Grande, dessa vez com shows acessíveis semanalmente, às sextas-feiras.

“A comunidade surda tem frequentado bastante e tem nos elogiado bastante, elogiado muito o trabalho da Danielle. Eles se sentem acolhidos, tendo um espaço de cultura pra eles, porque as minorias têm essa carência da inclusão, que a gente conseguiu graças a Danielle. Então, eles se sentem contemplados e isso tem sido muito satisfatório pra nós”, disse Jodascil.

De acordo com ele, é o primeiro a bar a ter uma programação fixa semanal com intérprete no Estado.

O jovem Matheus Moreno, de 26 anos, já foi ao local para conhecer a iniciativa. Para ele, ter a chance de ‘escutar’ a música através dos sinais transformou a sua vida. Agora, ele até tem uma canção favorita: Milu, de Gustavo Lima.

“Eu consigo sentir a música sertaneja pela vibração do som e entendo a letra através da leitura labial. Às vezes, os cantores cantam rápido demais e eu confesso que senti certa dificuldade em compreender as letras no começo, mas eu me acostumei e agora consigo compreender. Gosto de ouvir a música tocando e sentir o ritmo dela. Quando eu ouço um sertanejo mais romântico ou de “sofrência”, eu consigo sentir a emoção que o cantor quer passar, meu corpo até arrepia”, revelou.

Questionado sobre o porquê a música Milu foi eleita a sua favorita, ele revela que é uma música muito animada e visual. “Quando escuto me sinto relaxado, despreocupado e presto atenção apenas na música. É uma sensação maravilhosa, sinto uma espécie de paz mesmo”, explica Matheus.

Esse era exatamente o objetivo do projeto, que leva ritmos diferentes todas as semanas para que os surdos tenham contato com vários estilos e, claro, sintam várias emoções.

“É um momento de interação entre eles. Então, eles veem o dia do bar acessível como um ponto de encontro, eles vão pra curtir a música, pra sentir qual é o ritmo”, contou Danielle.

O ação Tasco Acessível está sendo realizada todas as sextas-feiras no ambiente, localizado na rua Manoel Inácio de Souza, nº 1293, em Campo Grande.

Fonte: Midiamax

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