Mesária deficiente auditiva, que já colaborou em dez pleitos, diz que é preciso vencer barreiras.

Destaque no 1º Encontro Nacional de Acessibilidade e Inclusão, realizado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2019, o Projeto Libras, do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), conta com colaboradores que dominam a Língua Brasileira de Sinais para atuarem no dia das eleições. Graças à participação desses voluntários, torna-se possível o atendimento e a orientação de eleitores com alguma deficiência auditiva nos locais de votação.

Uma eleitora com deficiência auditiva que já contribuiu em dez eleições afirma que quer continuar colaborando com a Justiça Eleitoral. “Meu maior desafio é mostrar que somos capacitados”, afirma Lucineia Fagundes de Souza, eleitora de Mauá, município da Grande São Paulo com 306.518 eleitores. Lucineia, que é professora de Libras (Língua Brasileira de Sinais), acredita que “é um processo de inclusão muito importante.”

A eleitora conta que começou a trabalhar nas eleições por influência dos irmãos, também surdos, e que já prestaram serviços como mesários. Segundo Lucineia, sempre encontrou compreensão e acolhimento nos treinamentos. “Na primeira vez em que trabalhei não tive problemas, alguns eleitores ficaram admirados e queriam saber mais sobre mim e, com a ajuda de uma intérprete de Libras, pude conversar com eles”, relata.

Lucineia afirma ainda que se sente realizada por dar aulas a crianças surdas e manda um recado para os deficientes auditivos: “Quebrem barreiras. A sociedade deve aceitar as diferenças. Nós temos competência para superar desafios”.

O Projeto Libras foi implantado pela primeira vez nas eleições gerais de 2014, quando contou com a participação de 275 voluntários. Em 2018, o número subiu para 551. Para as eleições deste ano, os interessados em participar devem entrar em contato com seu cartório eleitoral (confira aqui).

Dos 33.565.294 eleitores aptos a votar, 414.978 (1,23%) declararam ter algum tipo de deficiência; desse número, 15.848 têm algum problema auditivo. O Estado de São Paulo utilizará 30.083 seções com acessibilidade nas eleições municipais de novembro.

365º Cartório Eleitoral   

A chefe da 365ª Zona Eleitoral – Mauá, Cyntia Alves Conceição de Lima, iniciou o projeto de inclusão de mesários surdos ou com deficiência auditiva há seis anos. Cyntia, que já teve aulas com a professora Lucineia, conta que já teve 14 mesários surdos numa única eleição. Ela espera que colegas de outros cartórios invistam nesse projeto de inclusão. “Esses mesários são muito empenhados, mas é preciso alguma adaptação durante o treinamento. Já fizemos até teatro simulando uma seção eleitoral”, conta a chefe de cartório.

Fonte: Tribunal Regional Eleitoral – SP

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