Os olhinhos atentos mostram o interesse de Yasmim Milena Silva Santos, de sete anos, pela Língua Brasileira de Sinais (Libras).  Ela é aluna da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Profª Rachel Cortês Rollemberg, localizada no bairro José Conrado de Araújo, e tem aula na Sala de Recursos da própria instituição de ensino, duas vezes por semana. Quem a acompanha nesse aprendizado é a mãe dela, a dona de casa Keila Cristina Silva Santos.

SERGIPE – Aos poucos, mãe e filha aprendem a se comunicar, através da Libras. Elas são orientadas pela professora da Sala de Recursos, Maria Izabel Dórea. “Eu resolvi procurar a escola porque eu não entendia o que Yasmim queria. Com o curso, espero me comunicar melhor com ela. A língua é difícil, mas como a professora ensina bem, acredito que daqui a dois meses eu vou conseguir me expressar. A nossa conversa vai fluir, eu vou entender a minha filha e ela também vai me entender”, afirmou.

A Prefeitura Municipal de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Educação (Semed), atenta às necessidades da população aracajuana, reforça a importância de aprender a Língua Brasileira de Sinais nas instituições de ensino da rede municipal. “Imagine você ter uma criança em casa e não entender o que ela quer. Com esse aprendizado, a compreensão entre mãe e filha será eficiente. Com a língua de sinais, as duas vão poder se comunicar melhor, vão emitir o sinal correto”, destacou a professora da Sala de Recursos, Maria Izabel Dórea.

Acompanhamento

Keila decidiu aprender Libras para poder compreender a filha

A Rede Municipal de Ensino de Aracaju conta com 23 salas de recurso, 12 intérpretes e dois instrutores de cursos de Libras, distribuídos nas 74 unidades de ensino.  “Além da Sala de Recursos, os 12 alunos surdos da Rede são acompanhados em sala de aula. A criança é orientada por um intérprete para facilitar o aprendizado. É interessante destacar que os profissionais da Educação são requisitados também para capacitar pessoas em outras áreas, como a da Saúde, por exemplo”, colocou a professora Maria Izabel Dórea.

A técnica de Referência da Coordenadoria de Educação Especial (Coesp), Marize Machado Batista dos Santos, ressalta a necessidade de as pessoas conhecerem a Língua Brasileira de Sinais. “A lei 10.436/2002 dispõe sobre a Língua de Sinais. Ela veio para regulamentar o direito do surdo e também o direito de aprender de pessoas que não são surdas. A língua deve ser compreendida por todos para que haja uma comunicação eficaz. Quando um surdo entra em um local e percebe que a pessoa entendeu a mensagem dele é maravilhosa a sensação. Quando isso não acontece, às vezes, ele se sente excluído pela sociedade”, colocou.

Libras
No dia 24 de abril será comemorado o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras).  A data foi instituída como uma forma de reforçar a importância da Libras, principalmente, para os cidadãos que possuem deficiência auditiva. No Brasil, mais de 9,7 milhões de pessoas apresentam algum grau de deficiência auditiva. Desse total, segundo o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 2,2 milhões têm deficiência auditiva em situação severa, das quais 344,2 mil são surdas.

A Libras é considerada a língua materna das comunidades surdas.  Ela apresenta uma série de palavras, sinais e expressões que formam uma estrutura gramatical e semântica própria. “A língua de sinais é estruturada, pois têm a configuração de mãos, expressão e movimento. Não é mímica como alguns dizem. É importante deixar claro que a Libras é uma língua e não uma linguagem”, acrescentou a técnica de Referência.

Fonte: https://www.aracaju.se.gov.br/noticias/80935

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