Nesta segunda-feira (01), um caso de inclusão se destacou na cidade de Toledo, o primeiro parto com o apoio de um intérprete de Libras.

O casal Jheniffer Francieli Polinski e Felipe Boufleur, ambos surdos, tiveram a ajuda de um tradutor de Libras, que acompanhou o nascimento do filho e possibilitou a devida comunicação entre os pais com a equipe médica que realizou o procedimento.

O pequeno Rodrigo Polinski Boufleur recém chegou ao mundo e já marcou a vida dos pais, dos médicos, de Thiago Rafael Mazzarollo, o intérprete que esteve presente em seu nascimento, e de Denise Dunke, uma segunda intérprete que também esteve ao lado do casal no decorrer da gestação.

Mazzarollo possui 14 anos de experiência como tradutor e já atuou em diversos contextos, porém, declara que este foi o momento mais marcante de todos os seus anos de trabalho. “Me sinto muito feliz de ter oportunizado a comunicação entre os profissionais e os pais surdos, neste momento tão especial da vida deles. O parto foi um sucesso e temos um meninão lindo que marcou nossas vidas. Nossas, pois, alguns profissionais que atuaram no parto, relataram que nunca tinham presenciado esse tipo de situação”, comenta.

A necessidade da inclusão
São momentos como esse, o nascimento de um filho, que a pauta de acessibilidade deve tomar a frente. Polinski, a mãe, conta que esse ato foi algo que trouxe muita felicidade para ela e seu companheiro. “Fiquei muito feliz por poder acompanhar o que aconteceu no parto. Além de nos alegrar com isso, o Thiago traduziu para nós todas as informações que a médica e os demais membros da equipe nos passaram”, disse.

Esse é apenas um fato onde pessoas surdas precisam de um atendimento que possibilita a inclusão dos mesmos. “Nós surdos precisamos que mais pessoas saibam Libras. Dessa forma, podemos conseguir ter livre acesso em todos os locais”, complementa Polinski.

Mazzarollo expõe que em diversos setores não existem muitos profissionais tradutores de Libras, o que faz com que o acesso dos surdos em atividades e serviços básicos, como a saúde, seja mais difícil. “É com a saúde, onde os surdos se deparam com uma das maiores dificuldades. Sempre que buscam auxílio, eles se deparam com a barreira comunicacional, já que se comunicam por meio da Língua Brasileira de Sinais, Libras, que é uma língua de modalidade gestual visual, diferente da Língua Portuguesa falada”, pondera.

“Por diversas vezes tentamos realizar o acompanhamento de modo remoto, mas não funcionou de maneira eficaz. O que pude notar é que esse tipo de atendimento necessita ser presencial”, fala Mazzarollo, exaltando a demanda de intérpretes para acompanhar os surdos que precisam do apoio desses profissionais.

Do pré-natal, até o nascimento
O atendimento que os intérpretes prestaram ao casal começou desde o pré-natal e sempre foi de modo voluntário. “A Jheniffer nos pediu ajuda para que pudéssemos acompanhá-la durante as consultas. Desse modo, ela poderia compreender esse período e saber os cuidados que, como mãe , precisaria ter”, conta Mazzarollo.

Com o trabalho dos dois intérpretes, Polinski conseguiu captar com mais precisão o que a médica lhe orientava. “Durante as consultas, todas as dúvidas eram resolvidas. A médica sempre se mostrou preocupada e atenciosa. Com o nosso apoio, todas as dúvidas eram sanadas. Por isso, esse tipo de atendimento com o profissional ao lado da gestante deveria ser garantido para todos os surdos”, declara Mazzarollo, evidenciado a importância dessa assistência.

Dunke e Mazzarollo são amigos de Polinski, o que facilitou o acesso a esse suporte, que ocorreu durante toda a gravidez. “Prestamos nossos serviços profissionais por conta de nos conhecermos. Mas, ainda assim, vale destacar que é importante ter no município políticas de atendimento ao cidadão surdo, por meio da presença de profissionais intérpretes nos mais diversos âmbitos da sociedade.”, finaliza Mazzarollo.

Fonte: PBN

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