ILES atende mais de mil pessoas por mês com diversos serviços de saúde, além das aulas para os surdos

Na manhã desta quinta-feira (7), o prefeito Marcelo Belinati recebeu, em seu gabinete, a visita da diretoria do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (ILES). Durante a oportunidade, o prefeito anunciou o aumento de R$ 30 mil no valor mensal repassado para a entidade, que, a partir de agora, receberá R$ 130 mil mensais de aporte financeiro da Prefeitura de Londrina.

A intenção é ajudar a instituição que atua em Londrina, desde o dia 15 de agosto de 1959, prestando serviços de educação infantil ao ensino médio, através do Colégio Estadual do ILES e com a parte de saúde clínica, por meio do Centro Audiológico. Entre os serviços prestados pela entidade estão os atendimentos de serviço social, psicologia, medicina (com médicos otorrinolaringologistas e neurologistas), fonoaudiologia, odontologia e terapia ocupacional.

A instituição também realiza o Programa Novo Mais Educação, o Conectados 2.0, curso de LIBRAS para pais, funcionários e à comunidade, atividades de contraturno escolar, mantém o Coral Vozes do ILES, e conta com uma equipe multidisciplinar e de saúde bucal. “O ILES é a instituição mais antiga de Londrina. Tem 62 anos de existência e faz um trabalho abençoado por Deus, para a população surda, muda ou que tem algum déficit auditivo ou na fala. Essa é uma participação do poder público, no sentido de buscarmos ampliar o serviço da instituição, que faz um trabalho muito importante tanto na educação, quanto na saúde pública”, disse Marcelo Belinati.

O ILES é considerado uma instituição de referência em saúde auditiva de alta complexidade em Londrina, sendo uma das poucas instituições do Paraná, que com esse nível de habilitação. Atualmente, cerca de 1.000 pessoas são atendidas por mês na parte clínica e, no colégio, antes da pandemia, havia 150 alunos matriculados. No Estado do Paraná, por exemplo, existem apenas dois colégios estaduais com ensino bilíngue para surdos, sendo um deles o de Londrina. Isso faz do ILES, uma instituição pioneira no ensino especial no norte do Paraná.

Segundo a deputada federal, Luísa Canziani, em Londrina, são cerca de 20 mil pessoas surdas. “Estamos falando de uma comunidade de surdos, que, em Londrina, tem mais de 20 mil pessoas e de uma instituição que cuida dessas pessoas com muito carinho, muito zelo, competência e dedicação. Então, só temos a agradecer ao prefeito e a todos os envolvidos, por terem colocado essa comunidade como uma prioridade de governo, porque sabemos das dificuldades que os gestores públicos têm para manter as contas públicas em dia”, afirmou Canziani.

A presidente do ILES, Ivany Vaquero, explicou que o aumento de R$ 30 mil mensais no aporte feito pela Prefeitura de Londrina vai possibilitar a retomada de planejamentos importantes, como benfeitorias em questões estruturais para a melhor atender o público-alvo do instituto. “Isso representa um alívio muito grande para nós. Penso que temos que ser uma unidade, porque o poder público não tem condições de fazer tudo sozinho, mas nós estamos aqui para sermos parceiros e estamos dispostos a ajudar em tudo que pudermos. Somos uma corrente, onde se quebrar um elo, para de passar a energia”, disse a presidente.

Durante a reunião, o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, também ressaltou outras ações que o prefeito Marcelo Belinati tem realizado para a população surda. Entre elas, o mutirão de saúde auditiva, onde foram entregues mais de 1.500 aparelhos auditivos de julho de 2018 a agosto de 2019 e realizados quase 3.000 procedimentos.(Veja aqui as matérias sobre o assunto). “Esse é um momento histórico, em que a Prefeitura de Londrina consolida, ainda mais, a parceria que há com o ILES há anos. Fizemos um mutirão, que foi um sucesso, entretanto com o advento da pandemia acabou fazendo com que algumas atividades assistenciais fossem suspensas e as cirurgias eletivas ficaram prejudicadas. Então, pretendemos retomar isso com as instituições, para bem atender a população”, afirmou o secretário de Saúde, Felippe Machado.

Já o prefeito Marcelo Belinati, disse que se emociona sempre que lembra dos mutirões realizados. “Me emociono de lembrar quando fizemos o primeiro mutirão de aparelho auditivo em Londrina, porque muita gente não tem dinheiro para comprar um aparelho auditivo, que custa R$ 7 mil e eu vi pessoas com mais de 60 anos, dizendo que estavam ouvindo pela primeira vez”, lembrou Marcelo.

Além dos recursos municipais, o ILES realiza vários projetos com a finalidade de angariar fundos, para a manutenção do local. Entre eles há venda de pizzas e projetos em parceria com o Sistema de Crédito Cooperativo (Sicred), através da Campanha União Solidária, realizada pelos institutos CoopConcecta Sicredi União PR/SP e Cocamar, com apoio do Lions Distrito LD 6. A campanha contempla projetos inscritos por entidades que atuam nas áreas de Assistência Social, Esportes, Cultura, Educação, Meio Ambiente e Saúde. As ações inscritas são avaliadas e, quando aprovadas, as entidades recebem cupons para serem comercializados de forma física ou eletrônica no valor de R$ 10,00 cada. Quem compra, concorre a prêmios e todo o recurso arrecadado é revertido para a instituição.

Sobre a história do ILES – Durante a reunião, a fundadora do ILES e primeira presidente da instituição,  Rosalina Lopes Franciscão, lembrou sobre o surgimento do colégio. Aos 96 anos, Rosalina contou a história de quando era professora no Benjamin Constant e, constantemente, via um menino surdo ficar parado em frente à porta de sua sala de aula. Ele se chamava Luis Carlos, estava na 1ª série e havia sido reprovado três vezes, por não saber ler em voz alta, apesar de ser excelente nas outras disciplinas. Na década de 1950, a disciplina de leitura era eliminatória, por isso quem não lia com a voz e a entonação correta, era reprovado na escola.

“Esse menino toda hora saia da sala e parava na porta da minha sala de aula e ficava me olhando. Fazia três anos que ele era reprovado, porque a leitura era eliminatória e os alunos tinham que saber ler com entonação e expressão. Mas como um menino mudo pode ler com entonação e expressão? Quando eu assumi a direção, falei que tínhamos que alfabetizá-lo e eu mesma fiz o teste de leitura dele. Levei ele para uma sala, mostrei o livro e ele fez um gesto assim (com a mão na barriga). Eu falei: ele leu, porque o texto era sobre barriga. Ele leu, só não falou. Por isso, eu dei nota para ele e ele foi aprovado”, contou com orgulho a fundadora do ILES.

Assim, com o passar do tempo e envolvimento no assunto, Rosalina Lopes Franciscão fundou o ILES. No início, o colégio tinha apenas cinco alunos surdos, que recebiam aulas na mesma sala que as crianças sem esta deficiência física.

Fonte: Prefeitura de Londrina

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