Edgard Alvarenga Simões é um ótimo exemplo de quem usa a língua para dar aos alunos um aprendizado que vai além da sala de aula.

Inclusão e diversidade é o nome de uma das disciplinas que o professor Edgard Alvarenga Simões, 40 anos, ministra pelo Centro de Referência em Formação e em Educação a Distância (Cefor) do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) mas é, também, uma espécie de filosofia que ele adotou para a vida dele.

Hoje é o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais, mais conhecida como Libras, e o professor é um ótimo exemplo de quem usa esse tipo de comunicação para quebrar barreiras e ajudar outras pessoas.

A história dele, por si só, já é um exemplo. Ao nascer, ele contraiu rubéola e perdeu boa parte da audição em consequência da doença. Mas, só aos 8 anos a família dele percebeu a situação e buscou tratamento. Foi nessa mesma época, que ele começou a estudar a língua brasileira de sinais.

Mais velho, já aos 13 anos, ele começou a usar aparelho auditivo o que ajuda, até hoje, a escutar um pouco. Ele também faz leitura labial.

A reviravolta na vida dele aconteceu quase sem querer, quando ele foi aprovado no vestibular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para o curso de licenciatura em Letras em libras. Ele lembra que fez a inscrição na prova por incentivo da esposa e não sabia que o teste se trava do vestibular.

“Eu não sabia do que se trava. Fiz a inscrição acreditando que era só para o curso de Libras mas, quando fui fazer o registro da matrícula, me falaram que eu tinha sido aceito na universidade. Nem acreditei! Foi uma surpresa pra mim, uma aprovação sem querer”, lembra.

Ele estudou, se formou e, desde então, usa suas aulas – de libras e de inclusão e diversidade – para criar uma sociedade mais inclusiva e aberta para pessoas surdas e mudas. Ele lembra que viveu as duas realidades: de não conseguir se comunicar direito e depois, conseguindo ouvir e falar e, por isso, tentar fazer uma ponte entre “os dois mundos”.

“O que eu aprendi com a vivência foi que o surdo tem uma visão de mundo diferente. A língua traz sim, uma cultura, uma forma de viver. A forma de ensinar para o surdo é diferente. A inclusão é importante porque, muitas vezes, o surdo não tem conhecimento de português e tem a comunicação limitada. Aí está a importância das aulas”, descreveu.

Exemplo para aluna
Tainá Carvalho Arruda, 23 anos, é aluna de Edgard e também cursa bacharelado em Letras libras na Ufes. Quando se formar na atual graduação, ela quer seguir os passos do professor e dar aulas para crianças surdas.

“Aprender libras me deu autonomia, tenho coragem para interagir. Eu estou estudando para ser tradutora e intérprete de libras. Depois, quero fazer pedagogia para dar aulas para crianças surdas”, planeja a universitária.

Professor há cinco anos, Edgard faz parte da equipe do Centro de Referência em Formação e em Educação a Distância (Cefor) do Ifes há um ano e meio e, atualmente, dá aulas de libras e Inclusão e Cidadania para cerca de 36 alunos.

Fonte: https://www.gazetaonline.com.br/noticias/cidades/2019/04/professor-surdo-usa-libras-para-ajudar-alunos-a-vencerem-limitacoes-1014177766.html

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