Neste Dia das Mães, fizemos uma entrevista com Flaviana Saruta, professora da Língua Brasileira de Sinais (Libras), que é surda, mãe de dois filhos ouvintes e casada com um marido surdo.  No bate-papo, ela contou sobre seus desafios como mãe e profissional neste momento de pandemia, barreiras de navegação que encontra na web e muito mais.

Muitas pessoas estão com novas rotinas devido à Covid-19, inclusive Flaviana. Ela afirma que já se adaptou com a mudança das aulas presenciais para as aulas online. “Primeiro foi tudo meio atrapalhado, mas agora consegui me organizar. Meus filhos adoram ter aulas online da escola. E os meus alunos já se acostumaram com as minhas videoaulas via plataforma do Google”, contou.

Flaviana ensina Libras para ouvintes há 18 anos. “Soube que queria essa profissão quando conheci a escola Instituto Santa Teresinha e vi aquelas crianças surdas lindas conversando. Foi aí que pensei em ser professora para crianças surdas. Logo depois, fiz curso de capacitação para instrutores surdos para dar aula para ouvintes”.

E foi Flaviana que também ensinou Libras para seus dois filhos: Beatriz, que tem 8 anos, e Phelipe, que tem 7 anos. “Eles aprenderam Libras comigo e com meu marido. Ficaram observando ao longo dos anos e aprendendo juntos”, disse.

A professora aprendeu português com a colaboração de diversas pessoas e da força de vontade dela.  “Foi muito difícil, mas consegui vencer. Estudei muito com ajuda da professora Sônia, na Escola Especial Neusa Bassetto, da fonoaudióloga, dos meus pais e muita leitura.”

Abaixo, confira o bate-papo rápido que tivemos com Flaviana para compartilhar um pouco da rotina como mãe, usuária da web e profissional.

Movimento Web para Todos – Como é a sua comunicação com seus filhos?
Flaviana Saruta – Minha comunicação com meus filhos é em Libras e tem pouca oralidade. Eles são ouvintes e se comunicam em português, inglês e Libras. Meu marido é surdo e não é oralizado. Nós nos comunicamos principalmente em Libras em casa.  Meus filhos já se adaptaram naturalmente. Já com os avós, eles se comunicam somente em português.

Movimento Web para Todos – Quais barreiras de navegação mais frequentes que você costuma encontrar? 
Flaviana – Eu me incomodo muito com a falta de acessibilidade no Facebook, no YouTube e no Instagram. Quando as pessoas falam sem intérprete e legenda,  peço para alguém me ajudar a entender o que a pessoa disse. E, assim, fico sem autonomia.

Movimento Web para Todos – As pessoas estão mais conscientes em relação ao cuidado com a acessibilidade digital? 
Flaviana – Falta muito ainda. Exemplo disso é que as empresas ainda não estão preparadas para receber funcionários surdos.

Movimento Web para Todos – O que você espera e o que pode ser feito para que a sociedade seja cada dia mais inclusiva e acessível?
Flaviana – A sociedade precisa aprender a se comunicar. Eu acabo perdendo muita informação por falta de acessibilidade digital e também física. Acredito que todos precisam respeitar mais a Língua de Sinais, primeira língua dos surdos. As pessoas não dão atenção, ridicularizam e fogem da gente, sabe? Sinto que muitos têm medo de se comunicar com surdos também.

Fonte: Web para todos

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