Comunidade universitária faz a reivindicação porque a demanda cresce com as políticas de inclusão e o quadro está reduzido porque as contratações foram suspensas pelo governo federal

Uma reunião realizada na manhã da terça-feira (19), no gabinete do reitor Josealdo Tonholo, buscou encontrar uma solução para o déficit de profissionais intérpretes e tradutores da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Eles atuam no suporte aos estudantes e professores surdos e na tradução para Libras das várias atividades presenciais e virtuais realizadas pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

O agendamento dessa reunião foi solicitado pela professora Lígia Ferreira, coordenadora do curso de Letras-Libras. A Ufal é pioneira na implantação das políticas afirmativas, mas cada uma dessas ações exige profissionais capacitados para dar suporte às necessidades específicas de cada grupo. “No caso do acompanhamento dos surdos, só temos oito profissionais para dar conta da graduação e da pós-graduação, nos campi onde temos estudantes e professores que necessitam deste suporte”, informou a docente.

A Ufal não só disponibiliza intérpretes e tradutores de Libras como também foi a primeira instituição de ensino superior em Alagoas a oferecer a graduação para formação de profissionais na área. O curso de Letras-Libras da Ufal foi aprovado pelo Conselho Universitário (Consuni), em outubro de 2013, e já ofereceu as primeiras turmas em processo seletivo realizado em 2014. A primeira turma colou grau numa cerimônia marcante, em junho de 2019.

Mas os cortes orçamentários implementados pelo governo federal nos últimos meses têm afetado bastante as contratações temporárias e, principalmente, por concurso público nas Universidades. Em outubro do ano passado, a Pró-reitoria de Gestão de Pessoas e do Trabalho (Progep) abriu edital simplificado para contratação, por tempo determinado, de profissionais técnicos especializados em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

O pró-reitor de Gestão de Pessoas, Wellington Pereira, informou que o processo já estava concluído, com aprovação de 11 candidatos que estavam em vias de contratação, quando o Ministério da Educação (MEC) emitiu ofício circular, em março deste ano, proibindo esse processo de prestação de serviços temporários. “Remetemos o processo para a Procuradoria Federal (PF) junto à Universidade Federal de Alagoas, mas a União obteve decisão favorável para a determinação de não contratar os profissionais selecionados”, relatou Pereira.

Lígia Ferreira enfatiza que uma solução precisa ser encontrada urgentemente. “Precisamos encarar esse problema como prioridade institucional porque estamos descumprindo um direito fundamental de as pessoas surdas terem acesso à educação, impedindo-as de se comunicarem em sua língua materna, isolando-as dentro da Ufal. Essa situação já compromete, enormemente, o desenvolvimento de nossas atividades acadêmico-científicas”, ressaltou a coordenadora.

O reitor Josealdo Tonholo acompanhou os relatos feitos por estudantes, técnicos, pesquisadores e professores surdos na reunião. A comunicação foi possível porque os intérpretes estavam presentes fazendo a mediação dos diálogos entre surdos e ouvintes. “Entendemos que essa é uma prioridade e que a ausência desses profissionais provoca um isolamento da comunidade surda e não podemos nos conformar com isso numa Universidade que já fez tanto pela inclusão como é a Ufal”, declarou o reitor.

Entre os encaminhamentos definidos na reunião, a Progep vai avaliar como contratar os aprovados no processo seletivo temporário com a verba de custeio da Universidade. “Paralelo a isso, faremos uma mobilização junto ao Congresso Nacional para regulamentar provimento para a contratação de intérpretes de Libras. Também precisaremos solicitar um concurso público, porque as contratações temporárias causam um desgaste a esses profissionais, que não podem criar vínculos com a instituição”, informou Wellington Pereira.

Fonte: Universidade Federal de Alagoas

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