Atleta surdo foi identificado como “mudo” em ticket para retirar pedido; empresa se posicionou sobre o caso

O atleta Danley Martins, de 24 anos, é natural de Joinville e faz parte do time de voleibol da FDSESC (Federação Desportiva de Surdos do Estado de Santa Catarina). No dia 20 de novembro ele passou por uma situação de discriminação e preconceito, no fast food Burger King, em um shopping em Florianópolis. Ele pediu um lanche e foi identificado como “mudo” no ticket para retirar o pedido.

Danrley contou que estava com a sua equipe de voleibol na Capital para participar dos preparativos finais para a Surdolimpíada Nacional, que ocorreu em São José dos Campos, no Estado de São Paulo.

“Escolhi o Burger King, porque acho um lugar gostoso. Decidi entrar e na hora já sinalizei para dizer que sou surdo, pois sei que dentro do Burger King não tem ninguém que sabe libras”, conta Danrley. “O funcionário iniciou o atendimento pelo computador e até aí tudo bem, não percebi nada. Quando recebi o papel, me deparei com a palavra ‘mudo’”.

Na ocasião estava à mesa o auxiliar técnico do time de voleibol, Andrei, de 27 anos, que vive na comunidade surda há mais de 4 anos. Ele viu o ticket de Danrley e ficou indignado, mas percebeu a indiferença do atleta.

“Ao olhar para o atleta surdo, não percebi a mesma indignação, por isso questionei ele: ‘você não vai fazer nada?’”, afirmou Andrei. “Eu fiquei ainda mais pasmo ao receber a resposta de Danrley: ‘a comunidade surda está acostumada com esse tipo de coisa’”, explicou o auxiliar.

Andrei resolveu expor o caso na internet e fez uma publicação sobre o ocorrido, junto com uma foto do ticket.

“Confundir o surdo com mudo é algo comum na sociedade, mas é errado. São deficiências diferentes. A deficiência é parte da pessoa, não a identidade dela”, escreveu Andrei na publicação.

Confira o post completo:

A vereadora Carla Ayres (PT) comentou na publicação e marcou o diretor do Procon de Santa Catarina, Tiago Silva, que iniciou com os procedimentos de denúncia.

Caso chega ao Procon
O órgão de defesa do consumidor notificou a empresa de fast food, que recebeu o prazo de 10 dias para se defender e informar se o atendente tinha conhecimento da deficiência do consumidor. A empresa deverá, ainda, informar se há funcionários capacitados para atender pessoas com deficiência.

“A falta de respeito é latente na nossa sociedade, porém, no âmbito profissional, em relações de consumo, não podemos admitir este tipo de atitude. Por isso o Procon está cobrando explicações da empresa”, avisa o diretor do órgão, Tiago Silva.

Posicionamento da empresa
Em nota ao ND+, o Burger King afirmou que todos os seus colaboradores passam por treinamentos de conduta e sensibilização sobre a importância da diversidade e do respeito.

Confira a nota completa
“O Burger King lamenta o ocorrido e reforça que repudia toda e qualquer forma de discriminação, seja com seus clientes ou com seus colaboradores. No BK, todos são bem-vindos e serão tratados de forma igualitária. Ressaltamos que todos os colaboradores passam por treinamentos de conduta e sensibilização sobre a importância da diversidade e do respeito ao próximo. A gestão da unidade franqueada onde o caso ocorreu reforçou essas orientações com toda a equipe para que situações como essa não voltem a acontecer. O Burger King também busca contato com o cliente e se coloca à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais”.

Andrei contou ainda que a empresa entrou em contato com ele, após o ocorrido, porém nada foi resolvido.

Ele garantiu que vai fazer um movimento para que a empresa seja punida por isso, não somente notificada, pois a culpa é da empresa e não do funcionário.

“Quero que o funcionário não saia lesado! Ele não tem culpa disso, a responsabilidade é da marca de falar sobre inclusão nos treinamentos, no onboarding”, explica ele.

Questionada pela reportagem do ND+ sobre o contato com o cliente e sobre o prazo o Procon para resposta, o Burger King não quis comentar.

Fonte: ND+

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