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Jaqueline Lopes conheceu deficiente auditiva no povoado Alegria, durante o Censo Demográfico.

“Eu costumava observar os surdos e via que nós, como sociedade, tínhamos uma barreira de comunicação muito grande”. A declaração foi feita, nesta sexta-feira (21), pela recenseadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Jaqueline Lopes, que recorreu à Língua Brasileira de Sinais (Libras) para entrevistar uma moradora da Zona Rural de Teresina, durante o Censo Demográfico 2022.

O caso aconteceu em 4 de outubro deste ano e foi divulgada esta sexta pelo IBGE. Ao chegar a uma residência no povoado Alegria, Jaqueline encontrou a deficiente auditiva, que não teve o nome divulgado e mora somente com a filha, uma criança de seis anos.

Apesar de não ser fluente em Libras, Jaqueline pôs em prática os conhecimentos adquiridos durante um curso no Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS) e se comunicou com a moradora.

“A moça falou que não poderia responder porque era surda, então fiz um sinal pra ela, que compreendeu e disse que poderíamos entrar”, relembrou.

No Brasil, conforme levantamento do IBGE, mais de 10 milhões de pessoas são surdas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em todo o mundo, 900 milhões de pessoas podem desenvolver surdez até 2050. O aumento do quadro se deve em parte ao processo de envelhecimento que atinge a população em nível mundial.

“Sempre me interessei por assuntos de inclusão. Libras é a segunda língua oficial do país e a maioria da população não tem noção nem do alfabeto básico. Eu queria ser capaz de me comunicar com essas pessoas caso um dia precisasse, e, de certa forma, quebrar um pouco essa barreira”, contou a recenseadora.

Censo 2022
O Censo Demográfico acontece desde o dia 1º de agosto e os recenseadores devem visitar todas as residências do país. Qualquer morador, acima de 12 anos, capaz de fornecer as informações, pode responder ao recenseador por todos os demais moradores de um domicílio. No Piauí, mais de 2 milhões de pessoas já foram ouvidas.

O questionário básico da operação, que deve ser finalizada até dezembro, traz os seguintes blocos de perguntas: identificação do domicílio, informações sobre moradores, características do domicílio, identificação étnico-racial, registro civil, educação, rendimento do responsável pelo domicílio, mortalidade.

O questionário da amostra, além dos blocos contidos no questionário básico, investiga também: trabalho, rendimento, nupcialidade, núcleo familiar, fecundidade, religião ou culto, pessoas com deficiência, migração interna e internacional, deslocamento para estudo, deslocamento para trabalho e autismo.

Fonte: G1

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